BLINDMAN (1971)

Postado em resenha-crítica western com as tags , , , , em 09/02/2010 por Filipi "Cloud"

“I want my 50 women”.

O Spaghetti Western não é exatamente um gênero muito original – dentro de si mesmo -, praticamente as mesmas histórias de vingança e ganância se repetem, com personagens homônimos e anônimos copiados e inspirados uns nos outros, fazendo do SW um ciclo vicioso, que conta várias vezes as mesmas histórias com abordagens ou personagens vagamente diferentes. A fórmula se repete mais frequentemente nos filmes mais independentes e low budgets que descontroladamente nasciam, sendo cópias de um ou outro mais famoso. A diversão em ver um SW estava na ação – mais frequente que nos faroestes americanos -, realismo e violência, mostrada de forma crua, muitas vezes brutal, além da trilha sonora geralmente above the top.

Porém, alguns westerns conseguiam se destacar entre tantos outros, por algum quesito em especial, ou por vários. BLINDMAN (1971) é um deles. A trama original e um personagem nunca visto antes em westerns, aliadas a um elenco competente, à direção do já consagrado Ferdinando Baldi (o mesmo de VIVA DJANGO!) e à violência e crueza característica do gênero, fizeram de BLINDMAN um filme memorável.

BLINDMAN conta a história de um pistoleiro cego que é contratado para levar 50 noivas a seus maridos, mineiros, no Texas. Mas o cego é enganado por seu companheiro e a mercadoria – 50 belas mulheres – é extraviada e vai parar nas mãos de um bandido mexicano. Agora o cego vai no rastro do bandido Domingo para recuperá-las.

O cego e seu prodigioso parceiro.

O pistoleiro cego é uma versão western do lendário espadachim cego japonês Zatoichi, mas ao contrário dele – e de outros heróis cegos, como o Demolidor -, Blindman não conta com nenhuma habilidade sensorial superaguçada, e muito menos um manejo prodigioso de suas armas. Blindman é um cego comum, com todas as limitações que isso implica, e para ajudar na sua jornada conta apenas com seu cavalo esperto e a simpatia das pessoas. Por pura sorte – ou ironia do destino – o cego consegue sobreviver num trabalho tão arriscado, em uma época e lugar tão hostis.

A trama pode parecer absurda – e na minha opinião É! - mas a ótima atuação do injustiçado Tony Anthony (que também escreveu o roteiro do filme) nos faz acreditar que um cego poderia muito bem estar no meio de toda essa confusão, e com alguma sorte e astúcia sair vivo. O final do filme confirma que apesar de tudo o cego é um personagem possível: ingênuo e bastante fácil de ser enganado, e que provavelmente não durará muito naquele ambiente selvagem.

Ah, é. Ele adora explodir coisas.

O filme é superestilizado e possui uma narrativa com ingredientes de videoclipe e comics. Também possui forte violência gráfica, algumas cenas de massacre são difíceis para os mais sensíveis assistirem, sem sentir algum desconforto – como a chacina à tropa no salão de festas de Domingo e a caça às mulheres no deserto, onde elas são mortas e violentadas sem nenhuma piedade. BLINDMAN é recheado de viscerais cenas de violência e nudez, tudo isso num cenário sujo e detestável, com casas imundas, cidades abandonadas e homens peludos e barbados. Contraditoriamente, BLINDMAN é um banquete para os olhos, pois constrói tão bem aquele fantástico mundo feio e violento, mas ao mesmo tempo tão estiloso, e nos conduz por ele através da jornada de um personagem carismático e quase ingênuo. BLINDMAN vai na contramão dos SW da época, mostrando um personagem debilitado, à margem da morte e da derrota, um pistoleiro que precisa atirar várias vezes – sem nem saber ao certo onde está atirando – e continuar apertando o gatilho sem ter certeza se seu oponente está morto.

Ringo Starr contracena com a bela Agneta Eckemyr.

As atuações de Tony Anthony – o cego – e Lloyd Battista – o vilão Domingo – são maravilhosas, e além deles o ex-Beatle Ringo Starr faz uma ponta, numa atuação decente, no papel do irmão de Domingo, Candy. A trilha sonora acompanha o ritmo do filme e a direção do sanguinário Ferdinando Baldi não tem pudores ao mostrar imagens chocantes, mas também captura de forma majestosa em belos planos a paisagem desértica da região da Almeria.

Como manda o figurino, o duelo final acontece num sombrio cemitério.

BLINDMAN é um bizarro e magistral spaghetti western, uma história ora ingênua ora virulenta. Com uma narrativa instigante, personagens bem encaixados – e carismáticos – e uma ação decente, além de um roteiro original, BLINDMAN se destaca como um dos melhores do gênero, uma experiência bizarra e nauseante para quem não é acostumado, certamente, mas indubitavelmente uma obra-prima – estranha e cativante – do amalucado Velho Oeste à italiana.

Pôster do filme

À época, o filme foi banido em vários países, e, naqueles em que não, recebeu classificação etária máxima. As cópias americanas do filme possuem algumas cenas a menos – e portanto uma duração menor – e provavelmente são bem confusas e incompletas, já que algumas cenas que considero importantes não estão lá. Isso é notável na versão completa agora: a maioria das cenas foi dublada em inglês, mas algumas outras permanecem em italiano (as cenas que foram cortadas da versão lançada nos EUA), fazendo com que a língua falada no filme seja constantemente trocada sem nenhum motivo aparente – agora você sabe o motivo!

Uma sequência para BLINDMAN possivelmente seria feita, mas Tony Anthony, mesmo depois do fim das filmagens, sentia uma irritação terrível nos olhos, devido às lentes de contatos, e preferiu não as usar mais.

No Brasil BLINDMAN saiu em VHS (com o título de O Retorno de Gringo e com uma foto grande de Ringo Starr na capa, pff), depois em DVD pela Ocean Pictures como Preso na Escuridão, além de ser exibido na TV como O Cego.

BLINDMAN (1971)
Cotação: 4 buracos de bala!

Per un Pugno di Dollari (1964)

Postado em resenha-crítica western com as tags , , , , , , , em 20/01/2010 por Filipi "Cloud"

“He is, perhaps, the most dangerous man who ever lived”

Sergio Leone começa sua épica trilogia dos dólares apresentando o personagem Homem Sem Nome (L’Uomo senza nome), um arquétipo de pistoleiro silencioso, misterioso e astuto. Baseado no clássico filme de samurai japonês “Yojimbo”, Por um Punhado de Dólares (Per un Pugno di Dollari – 1964) pode ser considerado um remake do original de Akira Kurosawa, mas emprega todos os elementos típicos do eurowestern com seu viés mais realista, violento e estilizado, como já havia começado a se fazer na terra do spaghetti. O diretor Sergio Leone deu voz máxima a este estilo, criando um oeste selvagem onde não havia heróis, a linha entre bom e mau é confusa ou oscilante. O protagonista de língua afiada, mira perfeita e sacada rápida é alguém que vive à margem da lei – ou mesmo fora dela! – e seu único objetivo é conseguir o máximo de dinheiro possível, trapaceando quem estiver no caminho se isto for necessário. Mas o icônico personagem de Clint Eastwood demonstra sinais de compaixão e complacência em alguns momentos do filme, como quando ajuda Marisol e seu marido a fugir, argumentando: “Eu soube de alguém como vocês antes, e não havia ninguém lá para ajudar”. O pistoleiro demonstra traços de humanidade, mostrando que ninguém é simplesmente bom, ou mal, há muitos fatores que podem levar alguém a ser gentil ou cruel, ou fazer o que quer que faça, num sentido mais amplo. Existem nuances. Muitos tons de cinza além do preto e do branco. O anti-herói encarnado por Clint Eastwood foi o molde para as centenas de outros que viriam a existir no gênero depois, diferentemente dos cowboys americanos, e seus filmes essencialmente maniqueístas, onde o heróico mocinho de chapéu branco combatia um inescrupuloso vilão de chapéu preto.

Per un Pugno di Dollari

O filme se inicia quando o Homem Sem Nome chega a uma conturbada cidadezinha na fronteira mexicana onde duas gangues rivais brigam pelo domínio da cidade, acabrunhando a população. O personagem de Clint faz jogo duplo e presta serviço para ambos os lados, enganando alguns homens, eliminando outros e arrecadando algum dinheiro no processo, mas em sua jornada encontra alguns ajudantes, como o fazedor de caixões Piripero, e o dono do bar onde se hospeda. A trama é basicamente esta. Simples. Mas cheia de idéias criativas, algumas cenas memoráveis – e emblemáticas –, personagens marcantes e uma trilha sonora maravilhosa. Aliás, a trilha sonora de Ennio Morricone é praticamente o Homem Sem Nome em forma de música. É a alma do filme. Fórmula esta que foi sendo aperfeiçoada ao longo dos outros filmes de Sergio Leone e terminou em seu apogeu no O Bom, o mau e o feio.

Por um Punhado de Dólares, entre seus muitos elementos característicos, apresenta o que depois viriam a ser ingredientes praticamente obrigatórios nos ítalo-westerns: simbolismo religioso (o Homem Sem Nome chega à cidade numa mula; há uma cena em que os homens de Ramón estão numa longa mesa, numa imagem muito parecida com a da Última Ceia; o personagem de Clint, dado como morto “renasce” ao sair da caverna em que se refugiava, após curado), muitos close-ups, diálogos afiadíssimos, doses de humor (negro ou não, implícito ou não) etc.

Esta primeira parte da trilogia dos dólares, o primeiro trabalho do diretor Sergio Leone com faroestes, que elevou o spaghetti western – antes visto como cinema de qualidade inferior e uma cópia barata dos originais americanos – a um status mais artístico e nobre, tem muitos méritos, desde a criativa direção, os bons diálogos, a maravilhosa trilha sonora e a estréia do icônico Homem Sem Nome – e a descoberta de Clint Eastwood para o cinema –, personagem que mais tarde seria usado nas sequências (e pelo próprio Clint, de forma mascarada, em seus próprios filmes).

Considerado violento demais para os padrões da época, e politicamente incorreto – por possuir um personagem de moral duvidosa como herói – Por um Punhado de Dólares fez história no gênero e no cinema. Não é considerado o melhor filme da trilogia (que depois virei a analisar em outros posts, se possível), mas foi o pontapé inicial para uma mudança significativa no gênero, para um caminho mais violento, realista e inconsequente, porém artístico.

Per un Pugno di Dollari (1964)
Cotação: 5 buracos de bala!

Ensaio de um ensaio

Postado em ensaios, fotos com as tags , , em 30/09/2009 por Filipi "Cloud"

Decidi postar no blog algumas fotos que tirei pra um trabalho da universidade. É um ensaio fotográfico – ainda sem nome – sobre Teresina, e sobre lugares daqui que remetam-me saudade ou nostalgia, ou que sejam só lugares legais, ou bonitos, ou tudo isso junto, ou nada disso, também, como foi o caso de algumas fotos que tirei simplesmente por tirar.  Também tem fotos que me lembram momentos ruins, peculiares ou tediosos. Tudo isso tá misturado no ensaio, que eu particularmente só gostei de algumas fotos. Aí estão algumas.

Ah, como minha máquina é amadora as fotos não saíram lá essas coisas – sem falar que o sol de Teresina definitivamente não ajuda -, mas o que importa é a idéia. A execução perfeita pode esperar eu ter dinheiro pra comprar uma supercâmera. É um ensaio sem muitas pretensões, apenas para fins acadêmicos mesmo, mas até que foi divertido fazer.

Clique na foto para ampliar e ver na qualidade original.

01

l’église de l’enfant

02

Traffic

03

Time

05

Anfiteatro

04

Réunion


O Indivíduo, a mídia e a “manipulação”

Postado em artigos com as tags , , em 14/09/2009 por Filipi "Cloud"

Tirando as teias de aranha do blog, decidi postar algo que escrevi hoje, em forma de trabalho, pra uma disciplina do meu curso (Comunicação Social). Não me estenderei muito explicando, o texto já fala por si. Reflitam.

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O indivíduo não possui esse nome à toa: indivíduo denota individual. Individualidade. Características únicas inerentes a cada ser humano. Atributos que na mesma ordem e nas mesmas cores não poderiam ser encontrados em nenhum outro. Cada indivíduo é um vasto universo que segue por um caminho diferente a mesma estrada. Um universo construído a partir da soma de todas as suas vivências, diálogos, experiências, e muito mais coisas do que se pode ver (e imaginar). Os vários pontos ao longo da vida se unem e configuram a aparência daquele ser totalmente individual e único. Sempre pensante, mesmo que pense “não quero pensar”. O indivíduo não pode ser rebaixado a um tijolo qualquer, que, igual a todos os outros, só tem sentido de existir se contribuir com a edificação da mesma parede. Alguém que sozinho não tem escolha e nem vontade para ir ou vir, apenas segue a designação que lhe é imposta por uma força superior e indefensável (no caso, a mídia). Se o mundo se tornou monocromático, com terra e céus cinzas, o indivíduo deveria tornar-se também? Dizer que todos os setores da sociedade – incluindo os seres humanos – são partes de um organismo até faz sentido, mas daí a dizer que a mídia seria o cérebro, que tudo ordena e o corpo simplesmente obedece, é entronar a mídia como Deus e apequenar todo o resto, rebaixando-os a marionetes sem vontade. Não entendo como os seres humanos, indivíduos totalmente diferentes em infinitos aspectos, poderiam todos sofrer da mesma influência e [re]agir, como que hipnoticamente, às supostas ordens e tendências – programação manipulada, they say – ditadas por simples programas de televisão (por exemplo).

O poder da mídia é inversamente proporcional à cultura e consciência do ser humano que é atingido por ela – atingido soa tão Bala Mágica, eu diria ‘tocado’ – e mesmo assim, por menor que seja a sapiência do espectador (ou leitor ou usuário ou ouvinte), ele sempre tem escolha, mesmo que a escolha seja escolher não ver (ou ler ou usar ou ouvir) aquilo (ou que a escolha seja “ter preguiça de escolher”). E não obstante a mídia atingir praticamente a todos, e o fato de a sociedade estar se globalizando e ‘uniformizando’, cada indivíduo ainda guarda dentro de si todas as suas influências, inclinações pessoais e valores próprios. Não existem verdades universais, e considere a afirmação “Não existem verdades universais” vulnerável a questionamentos também. Ela pode ser falsa.

A concepção de mundo evoluiu com os tempos, e a visão das pessoas sobre a mídia, idem. Com isso, questiono: ela continua tentando massificar a todos, apagando os rostos e criando uma massa homogênea? Ela consegue? Nossas diferentes vidas não criam diferentes indivíduos? Sendo assim, por que achar que a culpa de alguma coisa é de outrem (lê-se mídia) e não nossa?

A influência existe – e ela vem de muito mais lados do que podemos perceber – mas de quem é a escolha [a]FINAL?

the Black Sheep Boy – Fanfic

Postado em fanfic com as tags , em 04/03/2009 por Filipi "Cloud"

Bom gente, como estou sem paciência e ânimo hoje, vou postar apenas um trecho de uma antiga Fanfic que comecei há um tempo atrás. É uma fanfic de Yu-Gi-Oh! então, se você não conhece o anime/mangá, provavelmente achará um pouco estranho, mas nada que comprometa o entendimento – na verdade, nunca cheguei a continuar a estória, por muuuitos motivos que não citarei, então, acho que até o ponto que está, tá bem compreensível.

É basicamente apenas a descrição do encontro de dois rivais, em um beco, duelando por sua honra – no mundo de YGO, assim como no Velho Oeste, as coisas são resolvidas sempre com Duelos, o que eu acho bem interessante.

É só uma espécie de “amostra grátis”, que eu tinha feito pra ver se os “meus leitores” aprovariam, mas, quem sabe eu continue algum dia, ou, mais provavelmente, venha a escrever novos projetos – ou terminar os meus inúmeros que estão jogados por aí, interminados.

Eu escrevi há uns bons meses atrás, então hoje eu provavelmente escreveria de outra forma – pior melhor – então, imaginem isso escrito de forma mais madura, se possível. Comentem se puderem e se quiserem. Enjoy!

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O barulho das correntes ressoava nas paredes geladas e úmidas daquele beco escuro. Além da fraca iluminação proveniente das escassas lâmpadas elétricas, em seus prováveis últimos dias de vida, um pequeno ponto vermelho se destacava. Era um cigarro. Um jovem rapaz com roupas chamativas acabara de chegar ao beco. Encostou-se no primeiro lugar que achou: Uma lata de lixo, ao lado de uma infinidade de papéis velhos caoticamente empilhados.

O vento começou a soprar violentamente. O primeiro trovão estourou. As lâmpadas começaram a piscar e algum lixo jogado ali no chão foi arrastado pra rua, assim como alguns jornais que estavam na pilha.

- Droga de demora… – resmungou o garoto
- Tá vendo Kim? Até os céus anunciam a minha chegada. E eu prometo que quando a primeira gota de chuva cair, você cairá junto com ela, derrotado. – Falou gritando um novo garoto, que acabara de chegar e estava à entrada do beco, com uma voz zombeteira e confiante.
- Não sei se perco meu tempo rindo de você e seu falatório ou se te derroto logo e vou embora. Tenho mais o que fazer. – Disse Kim, cuspindo seu cigarro no chão.
- Hunf, então o que vai ser? que tal assim: quem perder sai do time e entrega sua melhor carta. – Fala o garoto confiante.
- Fechado. – Responde Kim friamente, já colocando o seu Disco de Duelo no braço direito.

Os dois garotos se posicionam a uma distância de uns seis metros um do outro e ligam seus Discos de Duelo. Uma luz colorida cintila por um segundo e enche aquele beco escuro e sem vida com as cores do arco-íris. O sistema Solid Vision acabara de ser ativado.

- E então Blaise, ainda dá tempo de desistir. Se desistir agora eu apenas pego sua melhor carta e deixo você voltar pra casa sem uma derrota humilhante, o que acha? – Insultou Kim

Blaise não falou nada. Ele parecia um pouco preocupado agora. Olhou para seu baralho e titubeou por alguns segundos antes de tomar posição de batalha e ignorar a provocação de Kim.

- Vamos terminar com isso!

- DUELO! – gritaram juntos

O vento começou a soprar forte mais uma vez. As latas de lixo trepidaram fortemente. Uma delas caiu no chão espalhando lixo no meio do beco, que agora se tornara uma arena de duelos.

- Eu sou o desafiante, eu começo! – falou Blaise sacando – Saco minha carta!

Yu-Gi-Oh!

Postado em artigos com as tags , , em 27/02/2009 por Filipi "Cloud"

Bom, hoje vou falar sobre algo que faz parte do meu dia-a-dia: Yu-Gi-Oh.

Ao contrário do que muitos pensam, Yu-gi-Oh não é só “aquele desenho que passava na televisão”. Yu-Gi-Oh também é – pode ser considerado – um esporte – alguns chamariam de hobby, mas da mesma forma que xadrez é considerado um esporte (por exercitar a mente, exigir preparo, ser uma atividade competitiva e haver campeonatos) YGO também pode ser considerado um.

Bom, vou começar contando a história de como começou o jogo, e o que ele é exatamente, quem o criou, etc.

Yu-Gi-Oh (no original: 遊☆戯☆王) que em português quer dizer “Rei dos Jogos”, iniciou-se com um mangá, em 1996, criado por Kazuki Takahashi, e logo se tornou uma grande franquia, com jogos, videogames, animes, brinquedos, etc. O mangá conta a estória de Yugi Muto, que após resolver um quebra-cabeça antigo, o Enigma do Milênio, liberta a alma de um antigo faraó egípcio (Atem) que entra em seu corpo. Yugi e Atem ao longo da estória vão encontrando amigos e inimigos, e todos – ou pelo menos quase todos – os conflitos e batalhas são resolvidos com jogos e duelos. Não só o jogo de cartas (inicialmente conhecido como Magic and Wizards e depois chamado de Monstros de Duelo) como também vários outros jogos, com dados e tabuleiro.

O jogo de cartas apresentado no mangá se tornou famoso, e logo a Konami criou um Trading Card Game (jogo de cartas colecionáveis) para que os fãs pudessem se divertir jogando o jogo com cartas de verdade.

Com o tempo o jogo foi crescendo, as cartas se tornando mais complexas e o jogo mais estratégico. Hoje em dia, como com os outros Trading Card Games, existem campeonatos – regionais, nacionais, continentais, etc. – em vários lugares do Brasil e do mundo.

Resumidamente, para se jogar Yu-Gi-Oh você precisa de um baralho (com no mínimo 40 cartas e no máximo 60) formado por cartas de monstro, mágicas e armadilhas, onde umas ajudem as outras e formem estratégias. O objetivo do jogo é zerar os pontos de vida do adversário e proteger os seus. Claro que o jogo é bem mais complexo que isso, mas explicar tudo levaria horas e horas (e é pra isso que existe o livrinho de regras).

Hoje Yu-Gi-Oh é o jogo de cartas mais jogado no mundo, tendo ultrapassado recentemente Magic, e na frente dos demais jogos de cartas colecionáveis.

Atualmente a série animada continua com os sucessores do anime original, Yu-Gi-Oh! GX (que acabou de ser exibido no Japão recentemente e em breve chegará ao Brasil) e Yu-Gi-Oh! 5D’s (atualmente em exibição no Japão).

Entre as vantagens do jogo, pode-se listar as mesmas de qualquer outro esporte mental: exercita o raciocínio e a capacidade de formular estratégias. Pode-se dizer também que o jogo ajuda na socialização dos jogadores, afinal, para jogar você precisa de amigos, e sempre vai querer conhecer novos jogadores.

No Brasil a série animada não teve o reconhecimento merecido, por ter sido totalmente editada (e retalhada) por uma distribuidora americana, a 4Kids, que tem o péssimo hábito de modificar totalmente as séries japonesas que caem em suas mãos.

O card game criou certa polêmica ao chegar aqui no Brasil, por ser um jogo que incluía magias, demônios, monstros, essas coisas (que não sei se percebem, mas existem em todas as obras de fantasia). Essa polêmica aconteceu graças à mídia sensacionalista brasileira, principalmente Gilberto Barros alguns apresentadores de televisão cujo nome não citarei, e também graças a alguns pastores fanáticos de igreja evangélica que alegavam ser um “Jogo do Demônio”. É uma pena que poucas pessoas tenham apreciado o anime e o card game, aqui no Brasil, com todas essas barreiras, mas é algo que vale muito a pena ser visto e jogado.

Novo Banner

Postado em talk em 27/02/2009 por Filipi "Cloud"

Bom galera, mais um post enche-linguiça, pra não ficar desatualizado – mais do que está.

Hoje inaugurando o novo banner do blog, super estiloso, não?
É um personagem aleatório de anime, daqueles que quando você olha já sabe que eu gosto, que encontrei por aí. Não estou fazendo apologia ao cigarro (nunca se sabe o que as pessoas podem pensar), ele é só um cara que fuma, ninguém é perfeito, né? Além do mais, ao contrário do que algumas pessoas pensam, fumar só destrói os pulmões, não a moral da pessoa, então, não acho certo julgar uma pessoa por fumar. Embora eu não fume e não goste de nicotina, pessoalmente.

Agradeço ao Diego que teve paciência pra me ajudar a fazer o banner (ele que gentilmente se ofereceu pra me ajudar, a essas horas da noite), e também agradeço à lola que tinha me ajudado com o banner antigo, ele me foi muito útil, e está aqui guardadinho, muito obrigado.

Pois é, esses dias volto a postar coisas que ninguém quer ler interessantes, mas ultimamente tenho andado um pouco desmotivado, e hoje meu pai está internado fazendo uns exames, então não estou no humor.

Ah, amanhã tenho uma entrevista de emprego, me desejem sorte!

Como Fazer um Curta-Metragem Experimental, Cult e Pseudo-Intelectual

Postado em random com as tags , , , em 18/02/2009 por Filipi "Cloud"

Hola, guys!
Post bem simples hoje, só pra não deixar desatualizado.

Encontrei esse vídeo há um tempinho atrás, achei muito bem bolado e engraçado.  Com ironia, o vídeo mostra a “fórmula” para se fazer um curta-metragem cult, desses  bem chatos, que você não entende nada (ou entende tudo, mas os cults dizem que você não entendeu de verdade) mas todos os críticos intelectuais acham genial e cheio de subjetividade e mensagens – subjetividade e mensagens essas que nem o autor sabia que sua obra tinha, maioria das vezes, mas que são superinterpretadas.

Parabéns ao Vitor Alli, o cara que fez o vídeo.

Enjoy!

Breve história: La’cryma Christi

Postado em música com as tags , , em 14/02/2009 por Filipi "Cloud"

Bom, hoje decidi postar uma breve história sobre uma das minhas bandas favoritas (se não a favorita): La’cryma Christi.

Suas músicas têm me feito companhia, sem falta, todos os dias. Sou apaixonado e, direta e indiretamente, influenciado por elas, e o imaginário rico e criativo que elas criam. Aqui vai uma breve história da banda, sem me estender muito, senão as pessoas ficarão com mais preguiça ainda de ler.

La’cryma Christi (do latim, significa ‘A Lágrima de Cristo’) é uma banda japonesa de rock, um dos grupos que fãs de música japonesa geralmente conhecem o nome, mas não conhecem realmente a música.

No início, La’cryma Christi começou como uma banda Visual Kei, uma das mais promissoras da terceira geração – junto com Malice Mizer e Fanatic Crisis – e mantinham um visual bem extravagante, elaborado e performances “exageradas”.

O grupo começou em Osaka, com o nome de STRIPPE-D LADY no início dos anos 90, e depois de algumas mudanças na formação, em 1994 lançou seu primeiro single Siam’s Eye. Nesse ponto eles eram definitivamente uma banda Visual Kei, com maquiagens e roupas estranhas, e suas músicas combinavam com sua imagem, eram igualmente chamativas: com menções a lugares exóticos e misticismo ocidental, além de sempre criar uma atmosfera de sonhos e ilusão.

Em 1996, La’cryma Christi lançou seu primeiro mini-album, Dwellers of a Sandcastle; em 1997 lançaram seu primeiro álbum, Sculpture of Time. O visual e estilo do La’cryma continuou praticamente o mesmo, com seus primeiros álbuns.

Em 2002 a banda mudou de produtor, de imagem, e de som. Com o álbum &.U, decepcionaram alguns fãs, por deixarem de lado a atmosfera de sonhos e misticismo e enveredarem para um lado mais pop da música. As roupas continuavam extravagantes, mas agora tinham um ar mais “Rockstar” e menos Visual Kei, isso os fez perder alguns fãs, mas foi um passo lógico para a banda (e é o que acontece com muitas das bandas Visual Kei, na verdade).

Em 2003 La’cryma Christi fundou seu próprio selo musical: Majestic Ring. Eles voltavam a ser uma banda independente. Logo em seguida, a banda muda um pouco seu visual e seu som, torna-se muito mais “Hard Rock”, esse foi um passo muito importante na carreira deles. Uma grande mudança. Pode-se notar a influência de algumas bandas de Hard Rock americanas dos anos 80, como AC/DC e Whitesnake. Em Hot Rod Circuit, um trecho do refrão, “you shook me all night”, é uma referência à música you shook me all night long do AC/DC. Esse novo estilo era praticamente o total oposto de onde o La’cryma começou, ironicamente, porém, a banda não havia perdido sua genialidade e talento, só enveredado por caminhos diferentes, e mostrado diferentes lados.

Infelizmente, em março de 2006, a banda anunciou que o guitarrista Koji estava deixando o La’cryma Christi. Uma notícia chocante, após 10 anos de sólida união da banda. A banda planeja seguir sozinha sem Koji – o grupo certamente perderia um pouco do seu som, tendo em vista que Koji era parte importante dele – e após sua saída lança mais alguns singles e, por fim, o álbum Where the Earth is Rotting Away.

Após Where the Earth is Rotting Away, La’cryma Christi parece ter encerrado suas atividades. Todos os membros estão em projetos paralelos, porém, nenhum comunicado oficial de que a banda acabou foi lançado, e o website da banda ainda está no ar, o que quer dizer que eles podem ter se separado apenas temporariamente, para futuramente voltar, como acontece com muitas bandas. É o que os fãs esperam.

Links relacionados:

La’cryma Christi Official Website
Night Flight: the World of La’cryma Christi

A verdadeira Máquina do Tempo

Postado em artigos com as tags , , em 10/02/2009 por Filipi "Cloud"

Para dar abertura ao Blog, vou postar aqui uma história que realmente me deixou intrigado. Acho que se encaixa bem na idéia de “transformar o Real em Ideal”. Na verdade, quando li sobre esse cara pensei que se tratasse de algum personagem de ficção…

Ronald L. Mallett (03 de Março de 1945), Ph.D. é um professor estadunidense de Física, da universidade de Connecticut.

Quando tinha 10 anos de idade, Ronald perdeu seu pai, com 33 anos na época, para um ataque cardíaco. Desde então, inspirado pela clássica obra de de H.G. Wells, A Máquina do Tempo, resolveu voltar no tempo para salvar seu pai. Essa idéia tornou-se uma obsessão pelo o resto de sua vida.

Ronald L. Mallett

Ronald L. Mallett

Atualmente, Mallett comenta que está muito próximo de terminar a máquina, já lançou um livro intitulado Time Traveler: A Scientist’s Personal Mission to Make Time Travel a Reality (Viagem no tempo: A missão pessoal de um cientista de tornar viagem no tempo uma realidade), além de ter sua história e suas pesquisas demonstradas em documentários feitos pela TV americana.

A máquina do tempo de Ronald baseia-se em um conjunto de raios lasers superpotentes, que em espiral teriam força suficiente para distorcer o espaço-tempo, proporcionando assim a viagem a outros pontos do tempo (passado e futuro). Sempre mencionando e seguindo os estudos e descobertas de Einstein na Teoria de Relatividade.

Recentemente, Ronald disse que não seria possível para ele voltar no tempo até a época antes de seu pai morrer. Segundo Ronald, não é possível que alguém viage para o passado, para uma época de antes de a máquina do tempo existir, já que, se ela não existia no passado, a viagem no tempo ainda não era possível. Porém, ele não exclui a possibilidade de enviar informações ou mensagens para o passado.
Segundo Mallett, a partir da criação da máquina, no futuro, poderão ser feitas viagens ao passado para qualquer dia desde o dia da criação da máquina do tempo em diante.

No entanto, mesmo que seu projeto funcione, e uma eventual máquina do tempo seja criada, Ronald Mallett não poderia salvar seu pai, uma vez que isto acarretaria um paradoxo temporal cíclico. O paradoxo é simples: Se Ronald Mallett teve a idéia de criar uma máquina do tempo simplesmente para salvar seu pai (convencendo-o a parar de fumar), caso ele consiga convencê-lo, ao voltar para o presente, seu pai estaria vivo, mas isto seria impossível, pois se seu pai estivesse vivo, ele nunca teria imaginado em criar uma máquina do tempo, pois o fundamento para a criação desta fora a morte de seu pai, que através da criação da máquina do tempo, nunca acontecera, então Mallett ficaria preso neste ciclo vicioso, nunca podendo salvar seu pai de fato.

Porém, há teorias que dizem que não existe apenas um universo (uma realidade, uma dimensão), e se, por exemplo, Mallett voltasse ao passado e salvasse seu pai, ele não estaria alterando a realidade em que vive originalmente, e sim uma realidade alternativa em que, nela, seu pai sobrevive.

Um trecho do documentário sobre Mallett e a máquina do tempo, em inglês:

É uma história de vida realmente intrigante. E olhando vídeos e lendo sobre ele, dá pra gente ver que ele não é “um doido qualquer”, realmente sabe sobre o que está falando – ou pelo menos parecer muito saber.

De qualquer forma, é interessante ver o quanto a perda de uma pessoa querida faz as pessoas mudarem: ficarem obsessivas, determinadas, e até mesmo fazer coisas grandiosas como ir tão fundo em assuntos tão absurdos como viagens temporais, simplesmente para tentar ver, salvar, ou mandar uma mensagem para aquele que ama.